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De Fribourg à Nova Friburgo au Brésil

Um artigo oficial no website da Vila de Fribourg sobre a imigração suíça em Nova Friburgo.

há 3 horas

Último artigo De Fribourg à Nova Friburgo au Brésil por Helinton Dias public

No dia 16 de maio de 2022, uma placa de bronze em comemoração aos friburguenses que emigraram para Nova Friburgo foi inaugurada na Praça de Nova Friburgo, na cidade de Fribourg, com a presença de Thierry Steiert, síndico da Cidade de Friburgo, Raphaël Fessler, presidente da Associação Friburgo-Nova Friburgo, e Sua Excelência Cláudia Fonseca Buzzi, embaixadora do Brasil na Suíça.

Placa instalada na Vila de Fribourg - Foto de 2026

Friburgo - Nova Friburgo: uma história já bicentenária

No dia 11 de maio de 1818, um tratado de colonização foi assinado por Sébastien-Nicolas Gachet – agente do governo friburguense – e Dom João VI, rei de Portugal e do Brasil, com o objetivo de fundar a colônia brasileira de Nova Friburgo.

O cantão de Friburgo apressou-se em ratificar essa convenção. Afinal, a Suíça – especialmente os cantões mais pobres – sofria com fome e uma grave crise econômica. Com efeito, em 1816-1817, após a erupção violenta do vulcão Tambora na Indonésia, o planeta sofreu um resfriamento climático que alterou drasticamente as colheitas e o comércio.

Para os Dzodzets (friburguenses em dialeto local), a emigração permitia escapar da infertilidade da terra, do rigor do clima e, às vezes, da rigidez das autoridades políticas e religiosas.

Em julho de 1819, mais de 2.000 suíços e suíças de onze cantões diferentes decidiram dar o grande passo atravessando o Atlântico. Nada menos que 830 friburguenses, originários de aproximadamente setenta municípios, emigraram, liberando espaço para aqueles que ficavam.

Cerca de 100 pessoas da cidade de Fribourg ou redondezas participaram da viagem. Embarcaram em Estavayer, no dia 4 de julho de 1819, rumo ao Brasil, passando por Basileia e Roterdã.

Monumento de Estavayer-Le-Lac - Foto de 2026

Calvário e afogamentos

Após muitas desventuras e vários meses de travessia, finalmente chegaram às terras prometidas. Houve 313 mortes no mar. O número total de mortos, por todas as causas, foi aproximadamente 600, dos quais 283 eram do nosso cantão. Após oitenta dias de navegação, os 437 friburguenses a bordo do navio Urânia chegaram em segurança no dia 30 de novembro de 1819. Outros, 357 friburguenses e bernenses, que partiram no dia 12 de setembro de 1819, só chegaram no dia 4 de fevereiro de 1820.

No dia 18 de fevereiro de 1820, a colônia estava completa. Os sobreviventes, miseráveis e famélicos, foram distribuídos nas cerca de cem casas que o lugar já possuía. Os primórdios da Suíça brasileira foram penosos, marcados por numerosas doenças e mortes, bem como por desbravamentos exaustivos e colheitas medíocres.

Placa do Bicentérário instalada no Monumento de Estavayer-Le-Lac - Foto de 2026

Emigrantes subjugados

A colônia vivia em economia artificial, graças a subsídios que cessaram em 1821 com o retorno do rei português a Lisboa. A Sociedade Filantrópica Suíça foi então fundada no Rio de Janeiro por comerciantes suíços para ajudar os emigrantes; ela ainda existe e acabou de celebrar seu bicentenário.

Os mais empreendedores deixaram esse Eldorado desencantado para se dedicarem à cultura do café em outras regiões do Brasil, ainda que recorrendo à mão de obra subjugada, já que o Brasil aboliu a escravidão apenas em 1888.

Logo, alemães das margens do Reno vieram reforçar as fileiras dispersas dos primeiros colonos de Nova Friburgo. Uma geração depois de sua chegada, restavam apenas 443 cidadãos suíços nessa pequena cidade. A partir de 1857, o Conselho Federal passou a se preocupar com as condições de trabalho, próximas à servidão, dos próprios emigrantes suíços. Esses esforços ajudaram os operários a obter garantia de salário mínimo.

Foto da parte mais antiga da Vila de Fribourg - Foto de 2026
Foto da parte mais antiga da Vila de Fribourg - Foto de 2026

A memória preservada

Contrariamente ao que se poderia pensar, a lembrança dos "inscritos para o Brasil" não se perdeu nas vicissitudes do tempo. Durante o século XX, Friburgo manteve a memória desses ancestrais que tiveram de emigrar para terras distantes. Seja através de livros que evocam a epopeia de Nova Friburgo (veja a bibliografia abaixo) ou da Associação Friburgo-Nova Friburgo, que nasceu nos anos 1970, por iniciativa de Martin Nicoulin, René-Louis Rossier e Pierre Kaelin.

A partir de então, os intercâmbios se multiplicaram e os laços entre famílias separadas por mais de dois séculos pelo oceano foram renovados.

Em 1977 ocorreu a primeira visita de uma delegação friburguense a Nova Friburgo.

A Praça de Nova Friburgo foi inaugurada em Friburgo no dia 22 de junho de 1981.

A Casa Suíça foi construída em 1987 em Conquista (Brasil) pela Associação Friburgo-Nova Friburgo. Ela inclui uma queijaria, uma chocolateria, uma loja e um restaurante, além de uma seção cultural com memorial, auditório e galeria de exposições, inaugurada em 1996 com a presença das autoridades da Cidade e do Cantão de Friburgo.

Após os deslizamentos de terra em Nova Friburgo em janeiro de 2011, qualificados como a catástrofe natural mais mortal do Brasil moderno, o Cantão e a Cidade de Friburgo agiram em solidariedade, liberando fundos de socorro.

Em maio de 2018, uma delegação friburguense com o Conselho Comunitário da Cidade de Friburgo viajou a Nova Friburgo.

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Para ler

Texto original traduzido de: https://www.ville-fribourg.ch/nova-friburgo

Helinton Dias

Publicado há 3 horas